"Viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe" (Oscar Wilde)
domingo, 22 de abril de 2012
A viagem
O que é mais difícil?
Não querer mais recordar,
Ou conseguir se desapegar?
Fingir ser forte, transparecer frieza,
Sentir dor ou não poder pedir socorro?
A vida continua não é mesmo?
Planos desfeitos, malas arrumadas.
O que está arrumado?
Nada! Tanta desordem, que de longe parece até um retrato da imperfeição.
Ou seria tão perfeito que tornou-se imperfeito?
O coração insiste em bater.
Por quê? Me pergunto.
A resposta não vem.
Vai passar, sei que vai passar.
E justamente por saber que vai passar
É que a cabeça entra em pane.
Seria eterno, tinha que ser.
Ainda dói, mas não como antes.
Por vezes até parece irreal, surreal, abstrato...
Local:
Recife - PE, Brasil
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Auto-retrato
Tempo... outra vez ele.
Vinte e cinco anos com cabeça de doze?
Ou com experiência de setenta?
Não importa.
Já fui tímido,
Até perceber que nem todo mudo está disposto a encontra a pérola que tentava esconder.
Já tentei ser frio, mas como ser assim diante de um mundo tão radiante?
Tentei ser cínico também, mas minha índole não me permitiu,
No máximo consigo ser irônico,
Há, isso faço como ninguém.
Me deparei com pessoas de alma clara,
De coração puro, de sinceridade latente.
Também fui alvo de muitos sanguessugas,
Que tinham prazer apenas em iludir, ou criar situações que me fariam fraquejar.
A vida me ensinou muito, e eu também a ensinei um bocado.
Já traí, nunca fui nenhum anjo.
E já fui traído, e vi o quanto dói ficar sem asas pra voar.
Já amei e fui amado,
Fui amado e não amei,
Já amei e achei que fui amado.
Decepcionei algumas vezes,
E superei as expectativas outras tantas.
Acima de tudo sou humano,
Errei, acertei, fui e fiz feliz,
Assim como já deixei triste quem não merecia.
Posso ser uma caixinha de surpresas,
E ao mesmo tempo o cara mais previsível do mundo.
Nunca estou satisfeito com o que tenho,
Embora tenha quase tudo que eu preciso.
Adoro despertar sorrisos,
Mas também sei mostrar toda a minha fúria.
Amo a intensidade, odeio monotonia.
Pessoas lindas me cercam, me protegem,
E me orgulho de ter conquistado o amor e o respeito de cada uma delas.
Que venham mais alguns anos,
Mais alguns erros e acertos,
Pois o aprendizado não termina nunca:
Nem nessa vida, muito menos nas outras que ainda estão por vir...
domingo, 1 de abril de 2012
Cicatrizes de um pretérito imperfeito
A dor, por diversas vezes, teima em não nos deixar em paz,
Quando a crença que algo ainda pode dar certo não existe mais.
Errar é tão humano quando se desculpar?
Fazer sofrer intencionalmente é tão desumano quanto não se preocupar com o próximo?
Desistir é tão difícil quanto persistir no erro?
Hoje tenho mais dúvidas do que certezas,
E, não a toa, a dor começa a transforma-se apenas em uma cicatriz.
Mas se fosse apenas uma cicatriz, ainda existiria sofrimento?
Talvez nem exista, espero que não exista mais nada, torço por isso.
Abrir mão de algo que você acreditou muito não é nenhum pecado.
Pecado, talvez seja, utilizar alguém apenas para suprir sua falta de amor próprio,
Ou até mesmo sua falta de coragem.
É mais fácil puxar alguém para o fundo, do que impulsionar alguém para o alto.
Tenho minhas dúvidas quanto ao aprendizado em uma situação assim.
É bem possível que duas ou mais cicatrizes tenham sido causadas pela mesma ferida.
Dói. E está ali, à mostra, toda a fragilidade de uma pessoa magoada.
A crença de que os obstáculos seriam superados,
A ideia de uma vida tranquila,
A sinceridade tão declarada e tão pouco utilizada,
A vontade de fazer dar certo,
Tudo isso chegou ao fim.
Faz parte tão somente do maldito pretérito imperfeito!
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