segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Um sopro




O passado pode ser perfeito,
Mais que perfeito,
Imperfeito? Refeito?

Não, o passado é apenas o passado
Talvez nos molde, talvez ensine, não há como ter uma certeza absoluta.

Como uma página cheia de recortes,
Em mal traçadas linhas, formando o livro da vida.
Enumerando em capítulos:
Histórias que serão apenas contadas,
Não mais vividas...

Ah, quão bom seria poder reescrever alguns trechos,
Revisar alguns detalhes, modificar a prosa, simplificar o verso.

Lembro-me não com saudosismo,
Nem com esperança, tampouco ilusão.
Apenas é impossível negar cada detalhe formando o que me tornei.

A linguagem muda, mudam-se personagens
O cenário é outro:
As emoções se misturam a momentos presentes,
Que não mais irão compor o que passou,
Mas marcarão o que há de vir.

Nunca saberemos ao certo o que se aproxima,
Jamais teremos a noção de quando iremos fechar o livro...

Mais a recordação que vem como um sopro,
Desaparece junto à brisa de uma nova manhã.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Vagas lembranças



De repente me pego pensando:
Sempre fui assim? Me tornei assim?
Somos uma mistura do produto criado pela sociedade
Com sutis toques de personalidade, e uma grande carga emocional.

Ao longo da vida conhecemos e esquecemos tanta gente.
Sofremos e pouco depois não sabemos nem mais o motivo de tanto sofrimento...
Revendo fotos antigas, nem sempre me reconheço,
Certas vezes me desconheço!

A complexidade do pensamento adquirido me faz pensar,
E pensar, e pensar, e pensar...
As conclusões são vagas e mesquinhas:
Excesso de egoísmo ou um altruísmo mascarado?

Nem sempre sinto saudade de alguém,
Tem hora que sinto saudade de quem eu fui,
Outras vezes sinto falta de quem eu gostaria de ter sido.

Tenho tantas dúvidas dentro de mim,
E a certeza de que vivendo encontrarei várias respostas,
Respostas essas que me trarão mais dúvidas ainda.

Como encontrar a simplicidade em um mundo tão complicado?

Somos capazes de raciocinar,
De criar,
De mudar!
Mas também somos animais instintivos
Em busca apenas de proteção, no sentido mais amplo que se possa imaginar.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Tempos modernos




Quantas escolhas fazemos ao longo da nossa existência? Mas será que são de fato escolhas, ou apenas refletimos o que nos ensinaram? Somos livres, ou escravos do ambiente em que vivemos?

O quanto a capacidade de pensar é influenciada pelo conhecimento já existente?

Nos vejo obrigados a quebrar paradigmas, a nos arriscar, a de fato sermos ousados, e não apenas reescrever o mesmo enredo, disfarçando-o de moderno.

Como bem disse Cazuza: "o tempo não para". Somos nós que paramos no tempo. A capacidade de adaptação do ser humano não deve seguir naturalmente apenas. Vivemos numa época onde a racionalização não deve ser deixada de lado. Devemos sim agir, lutar, e mudar.

Deixemos de lado estigmas sociais, psicológicos e religiosos, e encaremos a realidade de frente. Sejamos mais óbvios, interrompendo ciclos de preconceitos e visões estereotipadas do mundo e das pessoas que aqui vivem. Devemos lutar pela ampliação dos direitos do homem, e não cercear nossa própria liberdade.

Até quando fatores essencialmente individuais como a sexualidade, a etnia, ou crença, serão motivos para de alguma forma chocar determinados grupos? Será que a história da humanidade será resumida uma eterna caça as bruxas?

Enquanto as características naturais de alguém continuarem a causar incomodo a outro ser, viveremos nessa constante guerra por um padrão. O que os puritanos e preconceituosos de plantão chamam de moral e bons costumes, eu considero uma robotização da raça humana. Espero, sinceramente, que nenhum padrão de comportamento chegue a ser unânime. 

No dia em que as diferenças humanas não mais precisem de leis ou discussões para serem aceitas, poderemos, de fato, sermos chamados de seres racionais!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sossego



Descanse essa face preocupada,
Acolha apenas as boas emoções,
Siga sem peso, deixe a bagagem no caminho...

Liberte-se da culpa,
Esqueça as mágoas,
Sinta a adrenalina da conquista...

Vença quando possível,
E quando não, simplesmente sossegue!

Curta a vida,
Aproveite o momento,
Faça planos, mas diminua a expectativa.

Se prepare para a luta diária com um sorriso,
Intensifique o que gosta,
Amplie o horizonte,
Viva!

Aprecie a companhia dos que te fazem bem,
Ignore os que te fazem mal!

Festeje, comemore, siga em paz.
Menos romances, mais autoestima...
Menos amores, mais amigos...
Se conheça melhor, conheça o mundo melhor!

Sem turbulências, muito mais sossego!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Alguns brindes




E quantas vezes bateu aquela vontade imensa de desistir de tudo,
De chorar, recuar, se esconder, de fugir...
Mesmo assim veio a noite, depois outro dia, e tantas outras noites,
E de repente tudo foi passando, e passou:
Um brinde ao passado!

E aquela vez em que a solidão pareceu se alojar perpetuamente em seu coração,
Mas tudo não passava de uma ilusão: solidão foi o nome que encontrou para isolamento!
Se estava sozinho, se permanecia sozinho, era apenas uma escolha, não destino.
E quando a vontade de reaparecer falou mais alto,
Quando o desejo de reencontrar consigo mesmo foi tão grande, que o obrigou a fazê-lo:
Brindemos, então, a solidão!

Mas ainda podes questionar, como alguém pode mudar tão rápido?
Rápido? Para mim, a velocidade do tempo é um dos fatores mais relativos:
Um segundo pode valer uma vida, ou fazer você recorda-lo eternamente.
Mas o tempo que cura, também é o tempo que machuca.
O tempo que nos dá sabedoria, também é o tempo que tira pouco a pouco nossas vidas.
O tempo que recupera, é o mesmo tempo de destrói!
Certo ou errado, um brinde ao tempo!

Mas e a vida?
Não merecia ser festejada, não seria a vida o propulsor maior do ser humano?
Ou seria o amor? Ou até mesmo a felicidade, o mais importante?
Buscar o maior fator, o ápice, é tão difícil como explicar a cabeça de um apaixonado.

Então vamos viver, não sobreviver...
Amar, não simplesmente gostar...
Buscar a felicidade, não apenas a alegria...

E a cada nova vida, a cada novo amor,
A cada novo momento feliz,
Sempre iremos brindar!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Dançando com fantasmas



Nada é eterno, ninguém é imortal...
O espectro da vida pode aterrorizar qualquer um,
Mas também pode ser cômico,
Ou surreal, ou infinito: mas nada é eterno!

De passagem pelo mundo levamos algumas pancadas,
Vários arranhões, incontáveis tropeços.
Mas se a vida fosse um mar de rosas, como saberíamos distinguir o doce sabor da felicidade?

Viajando na órbita do tempo, muitas vezes me pergunto:
"Doce ilusão ou verdade? Sabedoria ou leveza? Paz ou paixão?"

Algumas vezes consigo as respostas que quero,
Poucas vezes tenho as respostas que preciso,
E raramente me satisfaço com o resultado obtido!
Mas não seria a satisfação o ponto final? O fim da linha?

O excesso de filosofia acaba por nos deixar teóricos demais,
Tal qual o excesso de desilusões nos deixam mais ríspidos, menos sonhadores...
Mas sonhar menos, não quer dizer deixar de sonhar:
Manter os pés no chão, nem sempre me impede de voar!

Então que doces e novos aromas aflorem na próxima primavera,
E que o calor do verão aqueça mais uma vez o coração que insiste em se manter congelado!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O amanhã




A cada novo dia, um novo sonho.
A cada acontecimento, uma nova oportunidade.
A cada momento, uma nova direção...

E quando um outro momento chegar,
Tentarei redefinir minhas emoções,
Redefini-las com um novo tom, uma nova cor.

O que ontem foi alegre, amanhã poderá ser angustiante,
Depois ódio, depois paz.

Mas cada novo dia...
Um novo sonho, uma nova oportunidade, uma nova direção.

Um novo castelo a se construir, com novas batalhas a lutar, e novas pessoas a conhecer.
Cada dia conquistamos algo, e também perdemos alguma coisa.

Que saibamos pelo que lutar, pelo que sangrar!
Que saibamos o que levar conosco, e também o que pra trás deixar.
Que saibamos que nada é nosso pra sempre, e que seja eterno enquanto dure...

Aproveitemos o dia, o momento, a oportunidade,
E sempre procuremos uma nova direção!

As águas do rio, os ventos nas folhas, a passagem do sol, a luz do luar,
Nada se repete!
Aproveite o hoje e esteja preparado para as novas do amanhã!

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Nota: Texto escrito pelo meu amigo Davi Souza.

Talvez eu apenas queira voar




Não entendo o tempo, não o aceito às vezes...
Sua relatividade, por vezes insuportável, também pode trazer um certo conforto!

Não viveremos para sempre,
O relógio da vida não para, é impiedoso!
O que fazer então?
Para onde ir? Com quem ir?

Perguntas retóricas apenas,
Afinal cada dia, cada momento importante, conta uma nova história,
Com novas aventuras e personagens,
Que se tornarão inesquecíveis, ou apenas uma longínqua lembrança.

Talvez a vida não seja um romance,
Nem uma grande obra em aberto,
Nem mesmo tão divertida quanto gostaríamos que fosse.
Mas talvez essa ânsia em viver com as emoções a flor da pele seja apenas uma questão de escolha.

Talvez eu realmente não esteja interessado em saber,
Se o seu jardim floriu ou ainda está em ruínas.
Se em alguma manhã chuvosa sentiu frio,
Ou se nem percebeu a sutileza de simples palavras.

Talvez eu nunca viva tudo aquilo que quero viver,
Nem realize todos os meus sonhos.
Talvez eu dê importância demais a tudo isso,
Ou talvez eu apenas queira voar...

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Nota: vale a pena escutar Live Forever da banda britânica Oasis, me inspirou a escrever esse texto.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A busca




A vida é mesmo uma trágica comédia:
Podemos rir do que nos faz chorar,
E também podemos chorar de tanto sorrir.

Somos atores de uma história maior,
Escrevemos, dirigimos e, principalmente: atuamos.
Mas a vida é uma peça cheia de improvisação.

Contracenamos com a realidade,
Tentando viver uma ilusão!

Encontramos diversos outros atores, roteiristas, diretores,
Palhaços, heróis, bandidos, e mocinhos.
Somos capazes de nos guiar por emoções cegas,
E também de iludir, e se iludir, com falsos sentimentos.

Deixam-se pra trás certezas absolutas, e amores infinitos.
A procura incessante pela intensidade é o nosso guia maior.

Pelo caminho, ou pelos caminhos, acumulamos bagagem,
E também abandonamos malas desnecessárias!

A busca não tem fim:
Até que os olhos se fechem para este mundo,
Seremos obrigados a lutar pela felicidade!

quarta-feira, 6 de março de 2013

Profusão de Sentimentos




Quando o silêncio toma conta de um ser,
Nem sempre significa falta do que falar.
Talvez seja porque nenhuma palavra é capaz de definir o que se passa...

Calar, às vezes, é a forma mais brutal de demonstrar a mágoa,
Ou dizer que, no fundo, ainda espera pelo próximo capítulo.
Esbravejar, falar coisas sem sentido, decretar o fim.
Decretar o fim?
O fim pode ser decretado?

Não se preocupe tanto com o que é dito,
Mas nunca deixe de notar o que é feito.

Talvez esse seja um clichê com fundo de verdade:
Falar é sempre mais fácil que fazer!

Se fazer entender é bem mais complexo do que pensas,
É quase impossível que a palavra dita corresponda exatamente ao que se deseja,
Muitas vezes queremos justamente o contrário:
O avesso, do avesso, do avesso...

Mas de que vale um sentimento, então, se não pode ser expressado?
Cabe uma resposta:
Sentimentos foram feitos apenas para serem vividos,
Para serem tocados,
E assim concretizam a palavra mais abstrata do nosso vocabulário:
A felicidade!