segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Um sopro




O passado pode ser perfeito,
Mais que perfeito,
Imperfeito? Refeito?

Não, o passado é apenas o passado
Talvez nos molde, talvez ensine, não há como ter uma certeza absoluta.

Como uma página cheia de recortes,
Em mal traçadas linhas, formando o livro da vida.
Enumerando em capítulos:
Histórias que serão apenas contadas,
Não mais vividas...

Ah, quão bom seria poder reescrever alguns trechos,
Revisar alguns detalhes, modificar a prosa, simplificar o verso.

Lembro-me não com saudosismo,
Nem com esperança, tampouco ilusão.
Apenas é impossível negar cada detalhe formando o que me tornei.

A linguagem muda, mudam-se personagens
O cenário é outro:
As emoções se misturam a momentos presentes,
Que não mais irão compor o que passou,
Mas marcarão o que há de vir.

Nunca saberemos ao certo o que se aproxima,
Jamais teremos a noção de quando iremos fechar o livro...

Mais a recordação que vem como um sopro,
Desaparece junto à brisa de uma nova manhã.

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